Gastronomia do porto
Embora seja um destino turístico recente, o Porto é uma cidade antiga e cheia de história; muitos dos seus conhecidos pratos representam também, o espirito das gentes do norte: dádiva, sacrifício, disponibilidade e hospitalidade.

Gastronomia do porto – Tripas à Moda do Porto
Para além da Francesinha, no Porto há um especial motivo de orgulho na afirmação de mais três criações: o tradicional Bacalhau à Gomes de Sá, o Caldo Verde e as Tripas à Moda do Porto.
Este último, o prato típico por excelência da cidade, apesar de ter uma receita histórica que remonta ao período dos Descobrimentos portugueses, ainda pode ser saboreado em muitos dos restaurantes de comida tradicional da Invicta.
Conta a voz popular que o Infante D. Henrique, precisando de abastecer as naus da expedição militar comandada pelo Rei D. João I, para a tomada de Ceuta de 1415, pediu aos habitantes da cidade do Porto todo o género de alimentos.
Gastronomia do porto
Respondendo com zelo e prontidão, todas as carnes que havia na cidade foram limpas, salgadas e acamadas nas embarcações, ficando a população reduzida às miudezas, das quais sobressaiam as tripas.
Foi maioritariamente com elas que os portuenses deram largas à sua criatividade e desenrascaram alternativas alimentares, como a que deu origem às Tripas à Moda do Porto.
Este prato, na altura entendido como um sacrifício, acabaria por se perpetuar até aos nossos dias e tornar-se no elemento gastronómico mais característico da cidade.
Foi também a partir dele que se criou a alcunha de “tripeiros”, qualificação indelével de todo o portuense que se preze.

Gastronomia do porto – Francesinha
A origem da francesinha não está ainda definitivamente clarificada.
Uma das teorias remonta ao contexto da Guerra Peninsular, no início do séc. XIX, afirmando que os soldados do exército de Napoleão costumavam confecionar umas sandes de pão de forma onde colocavam as mais variadas espécies de carnes disponíveis e muito queijo.
Na época, porém, ao que se diz, não se incluía um complemento essencial que os portuenses passaram, entretanto, a acrescentar – o molho.
Atualmente parece haver alguma unanimidade em atribuir os créditos da criação da receita, tal como a conhecemos, a Daniel David Silva, empregado do restaurante A Regaleira, no início da década de 1950. Emigrante em França e na Bélgica, uns anos antes, na área da restauração, familiarizou-se com a gastronomia local e em particular com a célebre croque-monsieur, muito popular entre os gauleses.
Segundo alguns relatos da época, terá sido a tosta francesa que serviu de inspiração para a criação da nossa francesinha, derivando daí o seu nome.
Ao que se diz, a receita tradicional, para além do molho, estava muito perto do modelo francês e só mais tarde tomou a sua forma definitiva.
Hoje em dia, dá-se como adquirido que a Francesinha, para ser tida como genuína, leva os seguintes ingredientes: pão de forma, bife ou carne assada, linguiça, salsicha fresca, fiambre e queijo.
Tudo regado com o célebre molho de francesinha que é o que mais varia de casa para casa.
A inclusão de ovo estrelado ou de batata frita é, normalmente, uma opção do consumidor.

Gastronomia do porto – Bacalhau à Gomes de Sá
O Bacalhau à Gomes de Sá, se bem que popular em todo o país, é outro prato tradicional nascido no Porto, em finais do Séc. XIX.
Acontece, por vezes, algumas receitas serem tão personalizadas que acabam por receber o nome dos seus criadores.
É o caso deste preparado de bacalhau, da autoria de José Luís Gomes de Sá, na época cozinheiro do Restaurante Lisbonense, no Porto, cidade onde sempre viveu e onde viria a falecer em 1926.
Segundo se diz, a receita terá sido criada com os mesmos ingredientes com que semanalmente fazia os Bolinhos de Bacalhau.
Com efeito, à exceção do leite, os ingredientes são os mesmos, só que a receita é bem mais elaborada, exigindo uma confeção cuidada e um esmerado requinte.

Gastronomia do porto – Caldo Verde
O mais singelo dos pratos oriundos da Invicta é, em simultâneo, o mais famoso e popular a nível nacional: o Caldo Verde.
Estranhamente sabe-se muito pouco das suas origens, se bem que tenha estado sempre presente nas ementas de todas as famílias do Porto e da região minhota.
Devido à sua simplicidade e leveza, come-se sempre no início da refeição ou numa ceia tardia.
De Eça de Queiroz a Camilo Castelo Branco, passando por Ramalho Ortigão, Correia de Oliveira e até mesmo Fernando Pessoa, não faltou quem tivesse dedicado alguma prosa a este saboroso caldo que junta o sabor da batata com a couve-galega, numa mistura única, acompanhada de uma rodela de chouriço e regada com um fio de azeite (não esquecendo a broa de milho, também originária da região do Douro Litoral).
Nunca, porém, o Caldo Verde foi imortalizado de forma tão feliz, como nas palavras inspiradas do poeta Arnaldo Ferreira e na voz de Amália em “Uma Casa Portuguesa”.

Gastronomia do porto – Mariscos e sardinha assada
Não é fácil escolher um restaurante onde comer peixe na Área do Grande Porto. São muitos e quase todos muito bons.
Duas das cidades vizinhas do Porto: Matosinhos e Vila Nova de Gaia, são conhecidas pelos seus restaurantes de peixe fresco e mariscos.
A aposta de Matosinhos nesta vertente gastro turística fez com que promovesse a marca “World’s Best Fish” querendo levar a gastronomia do concelho pelo mundo fora.
Matosinhos tem mais de 600 restaurantes, e muitos deles com o peixe e marisco como especialidades.
Podemos sugerir alguns restaurantes nesta área como o Xarroco, o Salta ó Muro, o Lusitano ou o Valentim, só para dar alguns exemplos.
Em Vila Nova de Gaia, as zonas piscatórias são também muito concorridas, como a Aguda ou Afurada.
Nesta última, as sardinhas assadas são rainhas e servidas a poucos metros do rio e com vista para a Foz do Douro.
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